quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Experiência Parentética


O senhor Feijó (que é coxo da perna esquerda (uma vez foi atropelado por uma mota (quem ia a guiar era o Panças (o gordo lá da vila de Bragaços (fica perto da saída da auto-estrada (que, diga-se, já precisava de umas obras (há muitos anos, senhor presidente! (um bananas (são ricas em magnésio (décimo segundo elemento da tabela periódica))))))))) faz anos hoje.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Reencontro

Era hoje!
Que diabo, quando as coisas têm de ser feitas há que fazê-las! Para quê adiar? E também já estava farto de perder noites de sono a pensar naquilo. Não, definitivamente não podia continuar assim. Tinha de pôr um ponto final àquela situação.
E foi assim.
Saí de dentro do pijama de flanela, que as noites ainda estão frias, e enfiei-me com eficácia num magnífico par de calças e numa excelente camisa. A ocasião merecia. Ainda me lembrei de aspergir um pouco de água de colónia. Nunca se sabe!

Peguei no casaco que a minha mãe me oferecera por ocasião do Natal (sempre preocupada com os agasalhos... enfim, há coisas que nunca mudam), chaves, carteira, chapéu e saí. Veloz. Não tinha tempo para pequenos almoços. Bem, para dizer a verdade, tinha era um daqueles nós no estômago que parecem dar a volta ao pescoço e depois às pernas... E não era para menos! Uma coisa destas mexe com os nervos de qualquer um, venha de lá o mais pintado.

Apanhei o autocarro mesmo a tempo. Sentei-me ao fundo, como sempre. Reparei que as minhas mãos transpiravam abundantemente. Tentei concentrar-me. Não podia abandonar agora. Tinha de ser hoje! A viagem parecia interminável. Deu-me tempo para rever várias vezes todo o plano. Nada podia falhar.
Por fim, chegou a minha paragem.

Subi a sua rua em passos curtos e cautelosos. Insegurança. Não era bom.
E lá estava eu, em frente à casa dela! Voltar para trás? Não, não, nem pensar, estava mesmo ali não ia desistir agora. Enchi o peito de ar e avancei para a sua porta. Estanquei-me por instantes, a rever mentalmente as palavras. Levantei o braço e toquei à campainha, determinado. Ainda podia fugir! Não, agora era tarde, ela podia ver-me e aí era o sarilho. A fechadura! Era decididamente tarde. Não havia nada a fazer. Era agora!

Ela apareceu, ainda com a marca na testa. Não havia dúvidas que tinha sido em cheio. Perplexa, não a deixei falar. Ataquei logo.
— Então diga-me lá, senhora professora, por que raio é que mandou chamar os meus pais à escola se foi o zarolho do Marivel quem atirou a primeira pedra? Não tenho culpa que o patife tenha má pontaria!


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Batula

Ao dulitar à compina, baneci os nincómios lambaticamente para cima do casticlasma, mas ribanou-se tudo pelos quórticos.
Estava a ponto de pirilotar, mas depois fanapiei os cinco calcibórticos que trafamundeavam nas balicas e lá consegui arripanar-me. Entretanto, e como o simpasma nunca mais galia, fimbalhei as cuntamidades das tabinas no oupo do trilambetão, o que fez com que o panático espanilasse.
E com isto tudo já me doíam as janetas.
Não sei de onde agritanou o ponílogo, mas lá que obdilatrou, ah isso obdilatrou! E acertou-me em cheio no estibuspo que ainda está hipnátrico.
Por isso olha, esbarrilei-me dali para fora e a partir de agora nunca mais contomino nada sem primeiro manilar as lamiças.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Burocracias

Era preciso tratar do papel com urgência.
Cheguei à repartição de finanças ainda não eram nove, ao contrário da senhora que abre a porta. Na minha vez tirei a carta do bolso do casaco e depositei-a em cima do balcão, ao mesmo tempo que dava os cordiais bons dias. A menina pediu-me que preenchesse uma formalidade e eu anuí. Claro que tive de desembolsar algum para ter acesso ao formulário, já se sabe ao preço que vai o papel, se for carimbado então...

«Agora é só esperar entre dez a quinze dias úteis e pode vir levantar o seu documento.»

Com a breca! Mas por que diabo levam sempre tanto tempo a emitir um simples papel? Desta vez não fui capaz de conter o meu impulso. Saltei por cima do balcão com uma agilidade notável e corri em direcção à porta que dizia, em letras garrafais, “ENTRADA RESTRITA”. Só podia ser aquela. Antes de ser atropelado pelo segurança que me levou à esquadra ainda consegui ver. Ou pelo menos acho que não sonhei, a pancada ainda foi forte. Dentro da sala estavam: uma tartaruga das galápagos a carimbar, um tigre de bengala a arquivar e dois pinguins que pareciam mesmo estar a assinar documentos, mas não tenho a certeza porque acho que as canetas não funcionam daquela maneira.

De qualquer das formas está tudo explicado. Os pobres bichos podem ser muitíssimo mais inteligentes, especialmente os pinguins, mas não têm polegares para manejar os papéis e as canetas e os carimbos e tudo o resto! Assim também eu demorava uma eternidade.




Publicado no jornal O Riachense a 19 de Fevereiro de 2014