quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Inferno no Céu

O sequestro foi terrível. Enquanto trabalhava foi atacado por dezenas deles. E faltava tão pouco, podia ter ficado perfeito. Aliás, tinha tudo para ficar perfeito. Belo, tranquilo, uma obra magnífica. Não há dúvidas de que é um artista.
Apareceram de súbito, de dentes afiados, olhos arregalados e espigões em punho. Gritavam de histeria e batiam uns nos outros.
Entre gargalhadas e patifarias, prenderam-no. Usaram as suas mãos experientes para dar o toque final. Um toque subtil, porém macabro.
Espalharam a ganância. Isso basta-lhes. É esse o motor.
No fim, soltaram-no e mergulharam pelas nuvens. Os malditos parasitas. Aqueles que envenenam a alma, apoderam-se da inteligência e apontam para cima, culpam os céus. São eles a fonte de ignição e estão por toda a parte. 
Ao sétimo dia, não descansou.




Publicado no jornal O Riachense a 21 de Janeiro de 2015