quinta-feira, 21 de maio de 2015

Criaturas Místicas

Quando cheguei a casa já era noite mas ainda se sentia um pouco de calor. Descalcei-me. Nada melhor do que sentir os pés livres depois de um dia de trabalho.
A casa estava repleta de silêncio, os pequenitos deviam ter saído. Fui ao quarto e lá estava o Unicórnio, lendo um dos seus livros como era costume. Nunca vi ninguém como ele no que toca a leituras. De certa forma invejo-o por isso. Dei-lhe as boas noites e ele acenou com o casco.
Enquanto me preparava para tomar um duche ouvi uns ruídos estridentes vindos da rua. A porta abriu-se. Eram os Duendes que vinham cantarolando e dançando com uma rede cheia de gambozinos que tinham apanhado para o jantar. São uns diabretes estes Duendes, mas eu gosto deles assim. Um deles parecia esconder algo atrás de si, o mais calado mas também o mais matreiro. Fui investigar. «Que levas aí, meu patifezinho? Quem te deu isso?» «Encontrei na floresta...» tartamudeou o pequenote «Encontraste? Mas... isso é uma pedra mágica! Seu desavergonhado, andaste outra vez a roubar as Bruxas? Pois ficas de castigo!» Este rapaz não aprende, estou farto de lhe dizer para não se meter com as Bruxas e com os fantasmas.
Entretanto os outros tinham já preparado o jantar. Um belo petisco, não haja dúvidas! Amanhã levo as sobras às fadas do pântano. São sempre simpáticas.
Ao serão pedi ao Unicórnio que contasse o que andava a ler. «É um livro muito curioso!» exultou ele erguendo-se tanto que quase espetou o seu chifre na viga de madeira «É sobre um Homem Honesto que dedica a sua vida a trabalhar e prol do seu País!» «Valham-me os Deuses e os Santos! Andas a ler essas histórias de fantasia outra vez? Não metas essas coisas na cabeça dos pobres Duendes! Um Homem Honesto? Existe lá tal criatura!»



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