sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Não vou falar do Cinema Olímpia que me sobem os calores

Ao que dizem as línguas (quer as boas quer as más), parece que lá vem de novo o momento do sufrágio. E a este que não lhe cabe o voto nesta terra, foi-lhe desafiada a redacção dum artigo opinativo. Quereis então saber o que pensa este módico sicrano que vos fala? Pois bem.

Acho que devia ser tudo demolido e construído de novo. Ah não! Peço desculpas. Estava a pensar na terra onde moro. Sim, porque é simplesmente a terra onde moro, não a terra onde Vivo. Apesar de não ter sido criado nem nascido em Riachos, foi aqui que me descobri e que me despertei para a vida social e comunitária. Ou seja, é aqui que me sinto vivo, nesta pacata e campestre vila de gente humilde.
Vila essa que se reconhece de olhos fechados! Quantas vezes não venho eu no comboio e sinto o seu aroma a vapores ora fabris ora almondinos? Oh diacho! Sem querer já fui bater num dos imbróglios da terra. E logo eu que gosto tanto de aqui estar, passeando pelas ruas com os amigos em fila portuguesa (ao contrário da fila indiana, os indivíduos numa fila portuguesa deslocam-se lado a lado), aproveitando assim a ausência de passeios. Para mim não fazem falta nenhuma. Todos os que por aqui conduzem já sabem que os peões têm prioridade em qualquer circunstância. É isso que torna a vila tão especial. É serena. Talvez demais. Claro que fazem falta uns quantos pontos de interesse que salvem as gentes da ambição de se prender ao conforto do sofá. Talvez umas verduras mais verdes, como aquelas que noutras paragens se vêem. Nem é preciso ir muito longe. Já ali ao lado na sede do concelho, de onde vem o dinheiro. Ah não vem? Pronto, então nesse caso também as colectividades não se podem governar, certo? Façam lá eles na cidade as ideias que eu tinha.
Ah, se ao menos tivéssemos um cinema antigo que servisse de atracção turística!

"Não, senhor presidente! A minha população também é sua! Ora venha daí tomar um refresco que eu lhe explico do que se trata." O presidente da junta que soubesse conduzir esta conversação teria o o meu voto, se eu pudesse votar aqui.