sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Artes Plásticas

Hoje na escola foi um sarilho. Entrámos, gritámos, arrastámos as mesas e as cadeiras, atirámos coisas pelo ar, sentámo-nos, levantámo-nos, voltámos a sentar e atirámos mais coisas pelo ar enquanto gritávamos e arrastávamos as mesas e as cadeiras até a professora bater no quadro com força suficiente para nos conseguir acalmar e dizer, já cansada, «Meninos, hoje vamos fazer artes plásticas» e voltámos a gritar e atirar coisas pelo ar, porque na verdade não gostamos nada de artes plásticas, mas sempre é melhor do que matemática.
A professora distribuiu as folhas e ordenou que pintássemos. Quem pintasse fora das figuras ficava sem intervalo, por isso, eu e os meus amigos esforçamo-nos sempre para não nos distrairmos demasiado a atirar os lápis e as borrachas uns aos outros enquanto a outra mão pinta até doer, porque nunca podemos deixar nada em branco. «A mim calhou-me um magusto cheio de castanhas!» gritei eu agitando a folha no ar. «A mim também!» gritaram todos em coro. Eu cá não percebo porque é que nos calham sempre desenhos iguais, por isso decidi pintar uma castanha de cada cor e ainda desenhei caretas e braços e pernas em algumas delas que pareciam mesmo estar a fugir do fogo. Ficaram estupendas!
Na hora do recreio a professora andou pelas carteiras a dizer quem ficava de castigo. Claro que eu estava orgulhoso do meu magusto colorido. Nem um risco de fora, nem uma migalha em branco. «Nossa Senhora!» Exclamou a professora ao ver a minha obra prima. «Todos para o recreio, menos tu, menino. Tu ficas aqui». Claro que eu fiquei espantado, não era caso para tanto. Afinal havia partes das castanhas que não estavam assim tão bem pintadas e até reparei que saí fora da figura algumas vezes.
Entretanto chegaram os meus pais muito aflitos e a professora falou com eles muito tempo e a minha mamã olhava para mim com ar de zangada e eu tive vontade de chorar. A mamã e o papá levaram-me para casa antes de todos os outros meninos e não disseram nada durante a viagem. Quando chegámos a casa o papá mandou-me de castigo para o quarto e disse «Que seja a primeira e última vez que usas a tua imaginação! Por que raio não és tu igual aos outros meninos?».



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